Bidu


Hoje eu tinha pensado em não sair com meus cães, mas no final da tarde eles ficam agitados na minha volta, como se dissessem: “Vamos logo!”. Já eram 18 horas e levei eles ao campo que fica perto da minha casa, lá eles correm muito, tomam banho de açude e cavam buracos e mais buracos tentando caçar animais que eu nunca vi.

Decorridos cerca de dez minutos, um deles apareceu com um bichinho na boca, era do tamanho de um camundongo. Chamei a atenção dele várias vezes para que largasse o bichinho, que se debatia. Ele largou e eu fui vê-lo. Parecia ser um filhote de ratão do banhado, como chamamos aqui no sul. Quando o peguei o corpo ainda estava quente, mas ele não se mexia. Fiquei triste por vê-lo morrendo tão bebezinho ainda, possivelmente tinha nascido há poucos dias, pois os olhos ainda estavam fechados. Fiquei examinando ele, vendo se ainda respirava. Eu não sabia o que fazer, como poderia devolvê-lo à mãe se eu nem sabia onde era o ninho ou se já tinha sido destruído pelos cães. Ele não se mexia. Eu o examinava e pedia a Deus que o levasse para junto de si, mas então ele se mexeu um pouquinho. Eu não sabia o que fazer para salvá-lo, comecei a chorar e dizia: “Senhor, porque tenho que passar por isso de novo?” Mas minha alma sabia todas as respostas.

O corpinho dele estava gelado, como eu achei que ele estava morto não me preocupei em mantê-lo aquecido, mas quando vi que ainda vivia coloquei ele nas minhas mãos para tentar aquecê-lo, mas não adiantava, e ele continuava respirando. Decidi ir para casa e levá-lo comigo. Coloquei-o no meu peito, dentro da blusa, para que ficasse aquecido, queria que pelo menos se sentisse acolhido naquele momento. Quando cheguei em casa eu o vi tão quietinho, achei que estivesse morto, mas ele ainda respirava, com muito sacrifício. Ele devia estar sofrendo muito e tive vontade de ajudá-lo a morrer logo, mas eu não podia interferir no processo dele, não dessa forma, não com o grau de consciência que eu tenho hoje.

Não daria tempo de fazer mais nada para salvá-lo da morte, então me encerrei no meu quarto, um pouco tensa, e fui para um lugar sagrado (da alma). Pedi a presença do anjo da guarde dele.

Aos poucos fui ficando mais calma. Fiquei acariciando o filhotinho e conversando com ele, honrando sua existência, sua vida, sua espécie, os aprendizados dele. Fazia carinho em seu corpo tão pequeninho, admirando a beleza que todo filhotinho tem. Disse a ele que ele não estava só, que eu estava ali com ele para acolhê-lo, dar carinho e fazer companhia. A respiração dele era muito difícil e foi ficando mais lenta. O anjo da guarda dele começou a emanar energia para ele junto comigo e foi então que, honrando sua vida, pedi ao Criador que confortasse o coração da mãezinha dele e conectasse o coração dela ao seu. Fiz o processo energético-espiritual de desprendimento daquela consciência e foi então que ele finalmente morreu. Por fim, fiz o encaminhamento espiritual dele. Agradeci por tudo e me despedi.

Quando olhei de novo a foto dele coloquei o nome de Bidu, achei carinhoso ele ter um nome, mas veio por intuição, não tinha pensado em dar nome a ele.

E o que esse acontecimento inesperado gerou em mim? Muitas reflexões!

Percebi que a Pitoca (minha cachorrinha) ter morrido nos meus braços (há 15 dias), apesar de muito doloroso, foi melhor do que ela morrer longe de mim e eu dela.

Lembrei da mãe da Pitoca, a Malu. Quando ela estava em suas horas finais de vida (2017) se urinava e se defecava toda e eu a coloquei no banheiro, com uma gradezinha na porta e fui para a minha cama, muito tensa. Eu sabia que ela estava morrendo, mas eu não sabia lidar com a morte. Eu a deixei morrei sozinha ali no banheiro e a minha consciência atual ficou triste por eu ter feito isso.

Quando a Malu morreu eu fui obrigada a olhar para muitas questões minhas, dolorosas, muito dolorosas, e um longo e doloroso processo de cura começou. Quase três anos depois nasceu o Instituto Holístico Animal Centelha Divina, por ela, e por todos os animais do mundo, para que recebam o melhor desta vida e o melhor de mim e para conscientizar os tutores sobre seu papel na vida de seus animaizinhos. Amo meu trabalho e honro cada consciência que a vida me apresenta, pois cresço e evoluo com cada uma.


Comentários

  1. Nossa relato lindo e emocionante. Fico feliz pelo Bidu ter encontrado você e ter recebido tanto afeto puro, cuidados e respeito. Nada é por acaso.

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